Março/2022 – Cirurgia Guiada em Implantodontia – LXVI

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Por Alneir Ferreira

A cirurgia guiada atualmente vem quebrando paradigmas e revolucionando a forma do profissional de planejar e conduzir com êxito os casos cirúrgicos e protéticos.

Os clientes passaram a ser cada vez mais exigentes na busca de resultados funcionais e estéticos satisfatórios onde os profissionais tiveram que lançar mão de novas técnicas e dispositivos que permitissem alcançar o melhor resultado clínico possível.

Anteriormente, o posicionamento dos implantes era determinado basicamente pela quantidade de osso presente anatomicamente e a prótese definitiva não era considerada um fator determinante. No entanto, a falta de planejamento resultava em reabilitações desfavoráveis com a oclusão comprometida, estética questionável e biomecânica desfavorável.

Nos últimos anos, a busca da excelência clínica pelos profissionais por procedimentos mais previsíveis, rápidos e seguros vem sendo alcançada pela evolução dos tomógrafos computadorizados volumétricos (Cone-beam), escâner de bancada ou intraoral e dos sistemas  CAD –CAM (softwares de planejamento cirúrgico e protético, impressoras 3D,  fresadoras, etc.) que são cada vez mais empregados na Odontologia, a fim de obter resultados mais customizados para cada cliente.

O Guia Cirúrgico é um dispositivo que auxilia a instalação do implante na melhor posição tridimensional possível, fornecendo ao profissional elementos para otimizar o procedimento cirúrgico, diminuindo a morbidade, garantindo assim, maior previsibilidade, devolvendo ao cliente resultados funcionais e estéticos imediatos, dentro das limitações de cada caso.  Usando softwares específicos de planejamento a seleção da posição, do tamanho, quantidade e inclinação dos implantes será baseada sempre nas condições anatômicas do cliente e no resultado protético final que se pretende alcançar.

As vantagens da técnica da Cirurgia Guiada em implantodontia são:

  • Auxiliar o planejamento e a qualidade final do tratamento a ser realizado.
  • Fornecer maior segurança e assertividade ao realizar o procedimento cirúrgico e protético, devido ao aumento da precisão do posicionamento tridimensional do implante.
  • Realizar cirurgias menos invasivas, com baixo nível de trauma, sem retalhos (flapless), com redução do tempo cirúrgico e sem suturas, quando possível.
  • Reduzir a dor, o edema e o sangramento pós-operatório, oferecendo ao cliente maior conforto, recuperação previsível e retorno mais rápido ao convívio social.
  • Proporcionar maior possibilidade de carga imediata, ao avaliar previamente a densidade óssea fornecida pelo software de planejamento e a preservação do tecido ósseo ao redor do implante, devido a precisão das fresagens durante o ato cirúrgico.
  • Permitir o planejamento e a simulação do tratamento cirúrgico e reabilitador, visualizando as limitações, as dificuldades, tendo a possibilidade de prever possíveis intercorrências.
  • Eliminar a necessidade de enxertos ósseos, pela possibilidade de desvios das áreas anatômicas críticas.
  • Oferecer melhor comunicação entre o profissional e o cliente, podendo ser usada também como ferramenta de marketing.

Algumas limitações da técnica de Cirurgia Guiada são:

  • Cliente apresentando abertura de boca limitada e com espaço interoclusal reduzido, dificultando realizar a instrumentação cirúrgica. No exame clínico, avaliar e mensurar de 40 a 50 mm de abertura, em média.
  • Dificuldade de visualizar as estruturas anatômicas pelo Cirurgião, sendo a cirurgia flapless (sem abertura e elevação de retalho).
  • Dificuldade de irrigação durante a preparação cirúrgica. Aplicar uma fresagem com instrumentos novos de forma intermitente e gradativa.

 Fluxo Digital de trabalho para planejar e realizar a Cirurgia Guiada:

  1. Para clientes parcialmente dentados.

São necessários exames de Tomografia Computadorizada para obter arquivos digitais no padrão DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine), sempre com afastamento labial.

E também o escaneamento intra-oral ou do modelo com arquivos .STL (Standard Triangle ou Tessellation Language).

  • Para clientes totalmente desdentados: Protocolo pré-tomográfico:

Primeiramente, avaliar com critério clínico a adaptação da prótese total presente em boca. Se estiver com assentamento e oclusão adequados, realizar as marcações com guta percha, do lado vestibular e na flange da prótese total bilateralmente, em média de 3 a 5 pontos de cada lado, sem perfurar. Pontos necessários para a devida fusão das imagens no software de planejamento cirúrgico.

Caso contrário, o profissional poderá reembasar a prótese ou realizar o enceramento diagnóstico, prova e duplicação deste enceramento em acrílico transparente e fazer as marcações com guta necessárias e encaminhar o cliente para realizar os exames de dupla tomografia.

Fazer um registro oclusal entre a guia tomográfica e o arco antagonista, podendo usar material para o registro de mordida ou silicone de moldagem denso, com espessura mínima suficiente para não permitir o contato direto dos dentes. Orientar o cliente quanto ao uso deste dispositivo ao realizar o exame no Centro de Radiologia Odontológica indicado.

              Após obter o protocolo de exames necessários, os respectivos arquivos digitais poderão ser trabalhados pelo próprio profissional, se estiver capacitado ou poderão ser encaminhados ao Planning Center para o devido planejamento cirúrgico e protético com softwares específicos (CAD = Computer Aided Designer), aprovação do planejamento pelo Cirurgião-Dentista e posterior confecção de Guias Cirúrgicas impressas com a tecnologia 3D             (CAM= Computer Aided Manufacturing).

             Por fim, o planejamento digital e a guia impressa serão encaminhados para o cirurgião para provar em boca e realizar a cirurgia com maior segurança, previsibilidade, menor trauma e conforto pós-operatório, além de permitir a confecção do provisório previamente ao ato cirúrgico, se for planejado e solicitado pelo profissional.  

                                                                                     

Modelo tridimensional virtual em vista transversal. À esquerda em vermelho, trajetória do canal da mandíbula e em sua região mais anterior, a emergência do forame mentual. O modelo de implante proposto pode ser observado à região do dente 36.

Plano da cirurgia guiada, com informações técnicas do implante a ser instalado à região do dente 36. Os cortes tomográficos ilustram a posição tridimensional correta e sua relação com os reparos anatômicos nobres.

Radiografia panorâmica pós-operatória do implante dental instalado na região do dente 36.

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